Hoje quero falar de um assunto que preocupa todo mundo, o tal do dinheiro.

E se você acha que a resposta é “Não venha morar na Europa se você não tiver dinheiro”…
Ma Oe, resposta errada (pense na voz do Sílvio Santos).

Não venha morar na Europa se você quiser ganhar muito dinheiro.

Essa seria a resposta correta.

Lembrando sempre que não podemos generalizar, que há casos e casos, que não existe certo e errado absoluto, blá blá bla.

Mas eu diria que se você vier pra cá com esse objetivo na cabeça, há grandes chances de você se decepcionar.

E vou te explicar o porquê.

Muita gente me pergunta sobre o custo de vida na Europa. Pergunta genérica, resposta genérica: é baixo.

Mas o que é baixo pra você? Ah, aí a coisa pega.

Considero o custo de vida baixo porque os serviços básicos estão cobertos e, mesmo a moradia sendo cara em geral (a Europa não tem espaço, gente), se pode viver dignamente com a média salarial em qualquer país da União Europeia.

Mas o dignamente é muito relativo, então que eu sempre digo é: o custo de vida vai depender do seu estilo de vida.

Vou dar um exemplo real e prático. Aqui abaixo está a lista de gastos que considerava essenciais para o meu estilo de vida quando consegui o meu primeiro trabalho como Analista de Marketing em Madri, há 13 anos. 

  • Aluguel: 750€
  • Supermercado: 350€
  • Contas luz/gás: 50€
  • Internet/telefone: 80€
  • Viagens: 150€
  • Roupas: 100€
  • Transporte: 90€
  • Outros: 300€
     
  • Total: 1.870€ (Gastos mensais para um casal sem filhos em 2006)

E falando um pouco da renda daquela época, meu primeiro salário foi 18.000 euros anuais (confessa que você se assustou com a cifra e pensou que era mensal 😅), dividido em 14 pagamentos, o que saía uns 1.200 euros por mês + 13º e 14º salário. Valor somado à renda do Roger, que era variável. No total vamos colocar uns 2.000 euros de média mensal.

Moral da história: nós conseguíamos viver dignamente no estilo de vida que considerávamos adequado e ainda sobrava dinheiro.

Com o passar do tempo, logicamente os gastos aumentaram e o salário também.

Mas a diferença não é tão absurda daquele tempo para hoje.

Hoje, um analista de marketing continua ganhando praticamente o mesmo salário. O aluguel de um apartamento de 2 quartos bem localizado, mas fora do centro de Madri, pode perfeitamente custar 750 euros. Ou seja, hoje em dia, um casal sem filhos na mesma situação que eu e o Roger naquela época, provavelmente iria gastar o mesmo que em 2006 em produtos e serviços básicos em Madri.

O que eu quero contar com tudo isso?

Nossos gastos e a relação com os nossos salários foram adaptados à nossa situação e ao nosso estilo de vida, que, é óbvio, vai mudando. E se você está pensando em se mudar para a Europa, pode contar com que, provavelmente, não vai sofrer nenhum susto financeiro daqui um ano. É tudo mais estável que no Brasil.

Então, para terminar, queria te dar a dica de um exercício básico de planejamento financeiro para  sua mudança de país:

  1. Faça uma lista dos seus gastos mensais atuais.
  2. Escolha o que seja imprescindível para a sua nova vida, o que você não vai abrir mão.
  3. Pesquise sobre o custo aproximado de cada item. No caso de supermercado, por exemplo, simule uma compra online (procure no google Carrefour + nome da capital europeia que você vai morar no idioma local)
  4. Pesquise sobre salário médio do país, ou se quiser ser mais específico, pesquise vagas de trabalho de um cargo inferior ao seu e veja a média salarial.

Contas, contas, contas, e pronto. Você já tem uma base para começar o seu planejamento financeiro. Aí fechamos o ciclo e você vai poder tirar as próprias conclusões sobre o assunto deste artigo. E vai chegar à conclusão que a Europa não vai te fazer enriquecer. 

Mas vai te dar tantas outras coisas, que o valor do dinheiro pra você vai, simplesmente, mudar. 😌


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